Eu tenho muita saudade da Cantina D’Itália, um restaurante que frequentávamos muito quanto eu era criança. Neste época meu pai ainda trabalhava em uma empresa multinacional e seu chefe era italiano, e esta cantina era um de seus lugares favoritos em Porto Alegre. Não é pra menos: o lugar era escuro, com muitas lingüiças (piça pra reforma ortográfica), cebolas e assemelhados penduradas no teto, paredes decoradas com pipas de vinho, um dono baixinho circulando o tempo todo sem nunca largar a taça de vinho, poucas mesas e uma comida ótima. Foi lá também que vi uma cena que nunca vou esquecer: minha mãe pediu um fettuccine e começou a cortá-lo em pedaços, costume este que eu detestava. Na primeira cortada, o Sr. Salvatore, dono do restaurante, colocou a mão sobre a dela e, com uma expressão de quem estava sendo esfaqueado, disse em um lamento: “Non me corta a massa…”
Eu quase engasguei de tanto rir, e até minha mãe morrer a gente brincava com isso, tão cômica e emblemática foi a atitude dele. Fazendo parte deste ambiente, havia sempre uma mesa ocupada pelos mesmos 3 ou 4 homens, que apelidamos carinhosamente de “Mesa da Máfia”. Infelizmente, cerca de 15 anos atrás o Sr. Salvatore morreu, o restaurante fechou e ficamos sem o nosso restaurante favorito. Esse blábláblá nostálgico foi só pra explicar como eu sentia falta de algo assim. O Copacabana é um bom restaurante, mas não é a mesma coisa. Pois parece que o Diego, do Destemperados tem o mesmo problema que eu, e deu uma dica ótima: a Taverna Monte Polino.
Gostei do lugar logo de cara. Quem olha de fora não dá nada pelo lugar, e de noite o efeito aumenta, pois a rua é obscura e escura. Ao entrar, me senti em um lugar familiar, só que mais iluminado. (Foto tirada do Destemperados)

Ao pegar o cardápio, percebi que ele é escrito em italiano, o que gerou protestos do Cristiano, mas eu achei um toque legal. O garçom nos disse que os pratos eram individuais, mas eram bem servidos, e que portanto eles recomendavam 2 pratos para 3 pessoas. Usando desta aritmética, pedimos 3 pratos (Filé a Parmegiana, Fettuccine à Matriciana e Lasagna Bolognese Quattro Formaggio) que demoraram um pouco. O couvert ajudou a esperar, mas teria valido à pena de qualquer maneira.

Fetuccini Matriciana

Filé a Parmegiana

Eu não sei que ogro come um prato destes sozinho, mas dou os parabéns. As cumbuquinhas são simpáticas mas enganadoras, pois dá um certo trabalho consumir tudo que vêm dentro delas.
Este molho Matriciana (que eu desconhecia) é um molho de tomate com pedacinhos de bacon que consegue ter um gosto marcante sem ser enjoativo. O Filé estava desmanchando de macio, como todo Parmegiana que se preze, e o molho estava um espetáculo à parte: espesso, mas sem parecer massa de tomate e com a dose certa de tempero. A lasagna pode parecer estranha, pois geralmente se vê por aí quatro queijos com presunto ou frango, mas o guisado casou bem com o molho.
No fim comemos tudo pois a comida estava ótima, mas daria facilmente pra alimentar 5 ou 6 pessoas. O bom é que apesar do excesso de comida e de refrigerantes (noite quente, muito quente) a conta deu R$110, o que considero um ótimo valor para 4 pessoas se empanturrarem de boa comida. Certamente voltarei lá pra experimentar outros pratos. Recomendo fortemente.
Agradeço ao Diego pela dica e pela foto descaradamente roubada.
Agradeço também a companhia do Cristiano e da Belisa.
http://www.tavernamontepollino.com/
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Rua Barão do Gravataí, 531 (esquina com a Múcio Teixeira)
Menino Deus – Porto Alegre – RS
(51) 3224.2372
Nota: O Google Maps indica o endereço no lugar errado. Na verdade o restaurante é na esquina da Barão do Gravataí com a Múcio Teixeira.