Posts Categorizados ‘armadilha

09
Jul
09

Nem as cortinas

Certas coisas me deixam particularmente decepcionado, e comida pretensiosa é uma delas. Uma coisa é ter sofisticação, como por exemplo o D.O.M., que eu ainda não tive o prazer de conhecer, outra coisa é ter um ambiente ajeitadinho, bom atendimento, cardápio bem-escrito e escorregar no que deve ser um dos pilares de um restaurante: a comida.
Infelizmente o St. Hubertus é mais um destes lugares que eu prefiro não voltar mais. Já havíamos visto a fachada uns dias antes e pareceu promissor, então lá fomos nós.
Ambiente St. Hubertus

O ambiente é bacana e o atendimento foi muito bom, isso eu não posso negar. Depois de muito salivar nas opções do cardápio, resolvemos pedir uma sopa cremosa de cebola de entrada. O garçom nos ouviu falando que iríamos dividir e fez gentileza de trazer em duas cumcubas.

Sopa de cebola

A sopa estava realmente saborosa: cebolas flambadas com um gostinho interessante de grelha e um creme bem consistente, mas achei estranho ter uma camada de pão mole por baixo dela. Alguém sabe me dizer se é alguma técnica culinária que eu desconheço ou é só um truque pra fazer render?

Aí chegamos na comida de verdade.
Alles Deutch

Este prato me fez imaginar como seria um “Mc Schmidt”, pois não era ruim, mas também não era bom. A linguiça poderia ter sido aquecida no microondas, a batata podia ter sido cozida até o fim, o joelho de porco poderia estar menos aguado, o lombo (que não apareceu na foto) poderia estar menos vermelho e mais suculento e o chucrute podia fazer parte do “Mc Snack glücklich”. Só faltou a cerveja sem álcool, afinal, é pra crianças.

O prato pedido pela Rebeca, o “Cordeiro Valenciano” (ui!), foi mais grave. Ou mais cara-de-pau.
Cordeiro com páprica e risoto de cogumelos

Quando alguém lhe diz “risoto” o que vem na sua cabeça? Arroz empapado com pomarola? É, na minha também não. Eu imagino que seja algo composto de arroz, com um molho que é absorvido por ele e um pouco de manteiga e queijo. Neste caso, tivemos um molho (ralo), quase nada de manteiga e nada de queijo.
O cordeiro, que deveria ter um molho a base de páprica também estava sofrível, com pouco cordeiro, uma gosma amarela se passando por molho e um solitária bolota de páprica se afogando neste mar de fracasso pseudoteutônico.
Nos custou R$132, o que é caro considerando a comida e que poderia ter rendido uma refeição MUITO melhor no Baumbach Ratskeller, que ainda por cima é mais perto. Nem o Carlo gostou, e isso que ele só provou as cortinas.
Pra esquecer deste desastre, hoje almocei no Daimu e saí faceiro e satisfeito como sempre. St. Hubertus who?

Av. Borges de Medeiros 2000.
Gramado – RS


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28
Fev
09

Expectativa

epic_fail
Decepção é uma coisa terrivelmente destrutiva, ainda mais se acontece depois de uma grande expectativa. É como aquele clichê que ouvimos ad nauseum: quanto maior, maior a queda. Foi assim que me senti quando fomos ao Takê. Tenho amigos que consideram este o melhor lugar para quem quer comida japonesa em Porto Alegre, e por isso estávamos bastante curiosos. Num momento “azar, foda-se!” resolvemos ir, mesmo sabendo que é provavelmente o buffet de sushi mais caro de Porto Alegre. A fachada é simpática, mas com muita cara de de casa noturna para meu gosto (achei que iam nos dar um cartão de consumação na entrada) e o interior é modernoso, com ambientes com níveis diferentes separados por paredes de vidro. Tem quem goste. O garçom deve ter acordado com os pés destapados e a fralda molhada, pois a má-vontade era óbvia ululante. Mas tudo bem, eu fui lá pra COMER, não pra socializar. A primeira impressão era de que a variedade era boa, mas quando comecei a passar pelas travessas eu percebi um padrão: o mesmo peixe estava presente em várias interpretações ligeiramente diferentes. Salmão, salmão com cebolinha, salmão com cream cheese, salmão com cebolinha e cream cheese e o mesmo se repetia com polvo, peixe branco e lula grelhada. No fim, acaba sendo meio redundante e o balcão fica em um corredor (!) do restaurante, então não dá pra circular e pra ir para o início tu acaba se acotovelando com quem já está pegando comida. Pra piorar, os pratos quentes eram meio bizarros para um restaurante japonês, a não ser que paella de frutos do mar seja um prato tradicional de Hokkaido e eu estou desatualizado.

[Com voz de anúncio da Polishop] Mas espere não ligue agora! Salmão molengo com espinhas e peixe branco fibroso (com MUITAS espinhas) pode ser seu por apenas R$68 por pessoa!

Se a comida fosse realmente boa, não teria me doído tanto pagar tudo isso, mas no fim das contas me senti roubado e pensando em quantos outros lugares melhores nós poderíamos ter gasto este dinheiro (sim, mais uma vez vou falar no Daimu, e não, não estou sendo patrocinado por eles, mas eu ia gostar…). Pra completar ainda passamos mal a noite inteira com aquele peixe de qualidade duvidosa, o que é uma cagada monumental, pois a qualidade e o frescor do peixe são essenciais para um bom sushi. Enfim, quem sabe tivemos azar, mas não pretendo arriscar e ir lá de novo, principalmente tendo opções melhores e mais baratas.

Pra quem quiser ir lá e provar que estou errado (ou certo):

Take

Rua Carvalho Monteiro, 397 – Bela Vista

(51) 3388-5097

11
Set
08

America

Vamos começar do começo: Eu, Rebeca e meu pai fomos ao Iguatemi encomendar as lentes do óculos novos da supracitada ruiva e nos deparamos com a recorrente dilema da escolha do lugar aonde iríamos jantar. O plano inicial era ir comer no Outback, mas como de costume tinha umas 20 pessoas na nossa frente na lista de espera. Sem chance. Tentamos o Fratello Sole e tinha menos gente na frente, mas ainda assim parecia que ia demorar bastante. Aí eu tive a “brilhante” idéia de tentarmos o America

Cat food fail
De cara, meu sentido de aranha começou a disparar, pois o restaurante todo (que é grande) tinha umas 6 ou 7 mesas ocupadas. A praça de alimentação e os outros restaurantes do Iguatemi com gente até o teto e ali uma calmaria de dar sono. Péssimo sinal. Como eu nem sabia que tipo de comida é servida naquela baiúca, peguei o cardápio, na porta mesmo, e tive o segundo choque: os preços!
Quem, em sã consciência, paga quase R$20 por um Hamburguer? (Copiado ipsis literis do cardápio: ” BARBECUE BURGER Hamburger de 150 gramas, queijo prato derretido, bacon crocante, cebola grelhada e molho barbecue, no pão com gergelim. – R$17,40″.) Oquei, eu talvez pagaria se ele fosse espetacular, mas mesmo assim as chances são baixas. Comentei com meu pai que era caro e que devíamos comer em outro lugar. A atendente da porta (que estava acompanhando nossa conferência pra decidir se comeríamos lá) se mete na discussão e diz que os preços deles são baratos, pois não se gasta menos de R$70 em um prato pra comer em restaurante. Tá comendo (ou sendo comida, vai saber) muito bem, hein filha?
Sabe-se lá qual caboclo baixou no meu pai e ele insistiu que queria comer lá e não teve jeito de fazer ele mudar de idéia! Ligou o foda-se, entrou e sentou. Ainda na mesa tentamos convencer ele, mas não teve jeito. “Se for ruim a gente não volta mais! Vamos experimentar!” Respirei fundo e fiz cara feia pro garçom que me trouxe o cardápio. Tentei escolher a coisa menos absurda (em termos monetários) por pura vergonha dos preços. Rebeca pediu uma limonada suíça, ao que o atendente responde: “Certo, mas ela não vem com leite condensado…” Me chama de chato, mas limonada suíça que se preze NÃO TEM leite condensado.
Meu pai pediu o tal de “MEXICAN ITALIAN BOLOGNESE – Fettuccine com molho bolognese, servido com hamburger apimentado de 200 gramas, coberto com queijo provolone derretido acompanhado de potinho com molho TexMex levemente apimentado”.

Olha que coisa linda esta massa anêmica com este molho de lata…De onde eu venho, este queijo em cima do hamburguer se chama “queijo lanche”, mas eles chamaram de provolone, sabe Odin por quê.
Mas pelo menos custa só a bagatela de R$32,50 (+10%)!

Eu e Rebeca pedimos como entrada a “Batata frita com cheddar picante e bacon”.

Eles devem chamar de “Batata”, assim mesmo no singular pois só é usada UMA batata na confecção desta entrada. Não se engane pela foto. Abaixo da borda do vasinho pretensioso tinha só ar quente.
Mas vamos para os pratos principais!
Rebeca pediu uma tradicional ” CAESAR SALAD & GRILLED CHICKEN – Salada de alface americana com molho à base de creme de leite, parmesão e alho, tiras de frango grelhado, croûtons e queijo parmesão”.

Alface americana…confere
Molho à base de creme de leite, parmesão e alho…confere em parte. Tinha um simulacro de parmesão.
Tiras de frango grelhado…confere mais ou menos. Tiras de hamburguer de frango conta? Eu acho que não.
Croutons….confere
Parmesão…não confere. De novo queijo lanche com outro nome.
Por R$25,20 (+10%) eu esperava bem mais.

Eu fui mais audacioso e pedi uma “SALADA ORIENTAL Alface americana, cenoura, pepino, manga e tiras de frango grelhado com molho honey mustard, salpicada com gergelim torrado”

Alface….presente
cenoura….traços
pepino….um que outro pedaço
manga….ahãm
frango grelhado….mais uma vez o truque índio de usar HAMBURGUER de frango grelhado.
Molho honey mustard….não tinha nem honey nem mustard. Era uma coisa amarela com gosto avinagrado.
gergelim torrado…..não estava torrado

Mais uma vez, uma pratinho bem chinelo para R$25,20(+10%).

Nota:

Sinceramente: eita lugarzinho bem mais-ou-menos! Nem o atendimento nem o ambiente se salvam! A comida em si não é ruim, mas a pretensão do cardápio, ficarem chamando de casual diner, falando da “diversidade” de um cardápio que só tem salada e massa com hamburguer, ambiente que parece um consultório de dentista construído nos anos 70 e iluminação amarelada (quem sabe pra ninguém ver direito o que está comendo) me deixaram com a certeza de que eu não ponho meus pés lá de novo. Nem com o dinheiro dos outros.