
Oi, eu sou o Goku Carlo. Dia 18 meu pai e minha mãe me levaram n´A Canga. Achei estranho a gente ir lá durante a semana e ainda por cima DE NOITE. Depois eu lembrei que era o Festival de Gastronomia Húngara!
Eu acho que nunca vi aquele lugar tão cheio, mas eu tenho só 8 meses, então não dá pra levar muito em conta…


Quando eu já estava entediado de babar neste cadarço, começou a movimentação na cozinha. Começaram com a Sopa de tomate com massa caseira (nem a pau eu vou colocar os nomes em húngaro. Não sei escrever nem em Português! Olhem na foto do cardápio se tiverem tanta curiosidade assim).

O molho parece bastante o do pimentão recheado, mas com bem menos páprica. Depois teve a sopa de alho:

Extremamente saborosa. Minha favorita entre as quatro alternativas. Meu pai ficou palpitando que o alho é assado antes de ser colocado na sopa. Em seguida veio a sopa de Goulash:

Boa, mas um pouco redundante se considerarmos que depois podemos comer o próprio Goulash com mais consistência. Eu gostei bastante.

Pra finalizar, a clássica sopa de miúdos defumados:

Não tem o que dizer, velha conhecida que não decepciona.

Partindo agora para pratos mais “consistentes”, tivemos o Repolho recheado com arroz e carne moída ao molho de páprica:

Confesso que a cara meio “desmaiada” não me empolgou, mas o prato é muito gostoso. A páprica é bem suave, sendo mais pronunciado o sabor do repolho. Isso acaba sendo bom pra não enjoar de tanta páprica. Na sequência, o Goulash, que já conhecemos e amamos:

Mais uma vez, nenhuma novidade. Na verdade, achei até melhor do que da vez anterior que provei o Goulash.
Em seguida, o mais próximo que chegaríamos de uma salada: pepino com nata e repolho levedado.


Havia também um acompanhamento interessante: cogumelos ao molho de páprica. Combinava com praticamente tudo.

Por falar em páprica, que tal mais repolho, mais molho de tomate com páprica e mais carne?

Sentiu falta do pimentão recheado?

Junto com as tradicionais batatas fritas e galinha a milanesa, umas “almôndegas húngaras” faziam companhia para bifes igualmente empanados a milanesa.

Um lombinho assado apareceu por ali, quando eu já não aguentava mais comer e ver páprica e repolho na minha frente.


Quase tendo uma overdose de capsaicina, finalmente chegamos às sobremesas.

No sentido horário: creme, chocolate, cassis e sabugueiro(?). Todos muito bons e diferentes entre si. Eu achei o de sabugueiro muito azedo e fiz cara feia. Pra fechar a comilança pantagruélica, um bolinho:

Na verdade dois, eu sei. Papoula e nozes. No cardápio dizia que tinha uma sobremesa com chocolate, mas eu nem lembrei dela e só queria ir pra casa digerir tudo aquilo…
Além da comida, tinham duas pessoas tocando violino. Eu achei muito legal e fiquei boquiaberto vendo eles tocarem:


Antes de começar a comilança, a Carolina, filha do Sr. Karoly (fundador do restaurante), falou um pouco pra gente sobre cada prato.

O papai ficou olhando pra ela torcendo pra mamãe não perceber, mas ela nem fica braba. Acho que ela só ficaria braba se fosse uma loirosa magricela. No fim a gente se divertiu, comeu bastante e gastou pouco. Como muita gente queria comprar ingresso e não tinha mais, vai ter outro dia 6 de Novembro. Se tu perdeu este, fica esperto! Ouvi a Carolina falar também que eles vão fazer isso todo mês, já que teve tanta gente lá.
Até a próxima aventura gastronômica!

Posts Categorizados ‘páprica
Comendo como um Magyar.
Tags: barato, exotico, hungaro, páprica, pimentao, sair rolando de tanto comer
O meu post sobre o restaurante húngaro “A Canga” é o meu post com mais tráfego até hoje, o que me deixa muito feliz, pois foi um enorme prazer escrever sobre este lugar que eu gosto tanto. Agora no último fim-de-semana, tive uma ótima surpresa ao chegar lá:

Todas estas consoantes pelo módico valor de R$30 por pessoa.
Eu já fiz minha reserva.
Calma pessoal. Eu não fugi, nem fui abduzido e nem este blog foi abandonado. Foi só uma coisa chamada TCC. Agora ele já está pronto e entregue, falta só a banca. Hooray!
Mas vamos ao que interessa neste blog: comida!
Certamente vocês lembram do restaurante húngaro “A Canga“, e este restaurante agora tem a opção de goulash no almoço de sábado. Claro que eu estava muito curioso, pois sempre ouvia meus pais comentando que “antigamente” era servido goulash também, e como nunca tinha comido antes, em lugar nenhum, fiquei atiçado pra saber como era.
Pra quem já comeu lá antes, não tem muita novidade, já que o cardápio troca o pimentão recheado pelo goulash com nokedli e por uma salada de pepino com nata e páprica.
Mas vale a pena? É melhor que o pimentão?
Sim, vale a pena pois o goulash é muito gostoso. Poderia ser mais consistente, mas não tira o mérito de ser um prato delicioso. A salada de pepino é interessante, pois é bem suave, mas perde a graça logo.
Se eu trocaria o pimentão recheado pelo goulash? De jeito nenhum! Mas como alternativa de boa comida e de um lugar legal, o goulash só melhora a experiência de comer no “A Canga”. Recomendo.
Neste domingo levei um choque: faleceu Karoly Cvitko, dono do restaurante “A Canga“. Quem me conhece sabe a importância que este restaurante tem pra mim e pode imaginar o quanto fico chateado. O restaurante aparentemente vai continuar por bastante tempo, mas ele vai deixar saudade, pois o Sr. Karoly era uma ótima pessoa, e na época que ainda recepcionava os clientes (seu filho assumiu o restaurante a alguns anos) era sempre educado, divertido e sorridente. Quando minha mãe ia lá, sempre ficava conversando longamente com ele sobre história, pois ambos adoravam o assunto, e a ascedência eslava de ambos só aumentava a empatia mútua.
Na próxima vez que comer um pimentão (recheado ou não) lembre deste homem que trouxe um pedacinho da Hungria com ele e mudou pra sempre as nossas vidas.
Istenhozzád, úr Karoly!
A Canga (vulgo Pimentão)
Tags: barato, domingo, hungaro, páprica, pimentao, sair rolando de tanto comer
O mítico, o imutável, o inigualável, o europeu, o tradicional, o agridoce, o sem-salada, o que te deixa arrotando até terça-feira, o inconspícuo, o ame ou odeie, o restaurante húngaro A Canga!
Bom, este vai ser uma megaboga post, pois (por vários motivos) é um restaurante especial pra mim. É especial pois é o lugar que fez com que eu me interessasse por culinária. Minha mãe me deixou de herança muita coisa, e a vontade de experimentar comidas novas é uma delas, e sou muito grato à ela por ter sempre me incentivado e levado à lugares interessantes quando eu era pequeno.
Em segundo lugar, uma história interessante: enquanto eu e a Rebeca estávamos ainda “fazendo a dança do acasalamento”, estávamos jantando com amigos e conversando sobre restaurantes, e eu disse:
-Conheço um restaurante que ninguém conhece, de comida húngara!
Rebeca me olhou e perguntou:
-Não é um que fica em São Sebastião do Caí? A Canga?
Meu queixo caiu….era a PRIMEIRA vez que alguém conhecia! Quem estava lá diz que dava pra ver os coraçõezinhos se formando à nossa volta….hehehehehe
E por fim, a raridade. Já ouvi falar que é o único restaurante de comida húngara do Brasil, o que me parece um pouco de exagero, (apesar de eu nunca ter ouvido falar em outro) mas certamente é o único que eu conheço. Mas vamos deixar de rodeios e falar do restaurante!(Clique nas fotos se quiser ver melhor.)
Quem olha de fora não dá nada por ele, já que nome não dá nenhuma dica e externamente parece como qualquer outro restaurante de beira de estrada.
Sim, você leu certo. O restaurante tem 40 anos. E praticamente NADA mudou nestes 40 anos. Obviamente que eu não sei como era quando abriu, mas conheço gente que vai lá desde que abriu.
Segundo o tradutor on-line que eu usei, “délvidéki magyar konyha” quer dizer algo como “cozinha magyar sulista”. Pra quem não sabe, Magyar é a principal etnia que compõe o povo húngaro.
Ainda segundo o tradutor, “Jó Étvágyat” quer dizer algo como “Bom apetite”.
Depois de todos estes anos indo comer lá, é fácil de ver quem está indo pela primeira vez: é aquele que pede o cardápio, ou pior ainda, que acha estranho que não tem salada. E agora aproveito para fazer uma pausa e um aviso: não é para qualquer um. É uma comida muito característica, o cardápio é fixo, os sabores são marcantes e o restaurante é honesto, com mobília e decoração espartanas.
E um banheiro assustador.
Então se você procura sofisticação, procure em outro lugar. Se você quer uma comida diferente e deliciosa, PODE ser que você goste. Juntou coragem e entrou? Agora vem o segundo choque para os menos aventureiros: o cardápio.
Não diz muita coisa, né? “Um monte de consoantes e acentos…Prato frito? Prato Cozido? Onde diabos eu me meti? Vou matar este guri!” CALMA! Está tudo escrito ali (e depois eu falo mais de cada prato)!
Aprolék leves = sopa de miúdos de galinha
Töltött paprika = pimentão recheado
Rántott Csirke = galinha empanada com batata frita
Fagylaltos = bolo com sorvete caseiro
Respirou fundo e sentou? Tá, depois de um tempinho (ou um tempão…o serviço lá é inconstante, único defeito do lugar) a comida começa a chegar.
Como eu disse antes, na sopa tem miúdos defumados de galinha (eca) e pescoço de galinha (eca de novo), mas você pode fazer como eu eu simplesmente separar e não comer.
Eu prefiro comer a massinha que vem junto. parece um gnocchi pequeninho. O caldo tem bastante páprica e tempero verde desidratado.
Nas noites de inverno eu ia adorar um prato destes! Não se empolgue e tome um monte de sopa, guarde lugar para o que vêm depois.
A atração principal, a pièce de résistance, o pimentão recheado.
Receita secreta do Sr. Károly Cvitkó, que veio para cá fugido da invasão russa de 1956, o pimentão recheado desafia quem tenta fazer em casa, e pedidos da receita são recebidos com um sorriso, mas nunca atendidos. O máximo que sabemos é que é utilizada páprica trazida da Hungria e que o recheio (que leva arroz e carne) é cozido dentro do próprio pimentão. O molho é um espetáculo à parte: grosso, com uma linda cor vermelha e um sabor adocicado que combina perfeitamente com o pimentão verde.
Novamente, guarde lugar no estômago para os outros pratos. Conheço gente que tem a perna oca que já comeu 9 pimentões, mas eu nunca consegui passar de 3. Ah, e use roupa escura, roupas brancas não são aconselhadas.
Seguindo no desfile de delícias, agora chegou a hora da galinha empanada e das batatas fritas.
A galinha tem uma “casca” grossa e um dos pedaços tem miúdos, que a gente chama carinhosamente de “aquele”. A batata é cortada em pedaços grandes e o bom é destrinchar um dos pedaços de galinha e cobrir com o molho do pimentão. Obviamente que isto também funciona com as batatas.
Pra completar, a sobremesa:
Na verdade é bem simples: um pedaço de bolo com chocolate e meia bola de sorvete de creme com chocolate em cima. Tudo feito lá mesmo, é claro.
Tudo isto pode ser comido à vontade, pela quantia módica de R$17 por pessoa e não é cobrado 10% de serviço (que eu acho uma palhaçada quando é cobrado). O restaurante funciona apenas para almoço nos fins-de-semana.
Restaurante Húngaro A Canga
RS 122, KM 09
São Sebastião do Caí, RS
fone: (51) 3536 1461
Aviso de utilidade pública: O consumo de pimentão verde pode causar eructação de gases venenosos por aproximadamente 3 dias. Na viagem de volta já começa-se a sentir os efeitos. Você não vai querer jantar, mas vai querer ir de novo.



















